Aída Ferreira de Araújo nasceu em Campo Alegre, distrito de Pitangui, aos 23 de maio de 1930, a quinta de doze irmãos, filha de Levindo Ferreira de Araújo e Conceição Cândida de Araújo. Aos 13 de junho do mesmo ano, recebeu o santo batismo. O amor de Deus cresceu com ela no colo dos pais e no aconchego dos familiares. Seus pais foram seus melhores catequistas. No dia 20 de janeiro de 1937, fez sua primeira comunhão na Capela de Campo Alegre e foi confirmada pelo Sacramento do Crisma em 26 de julho de 1942, na Capela da Estação Ferroviária, Paróquia de Nova Serrana.
Aos 20 anos fez opção pela vida consagrada colocando-se à escuta da vontade de Deus. Como não estava livre, naquele momento, aguardou por algum tempo. Tempo este em que as Irmãs Clarissas chegavam em Belo Horizonte. Enquanto aguardava o momento de Deus, comprometeu-se com o trabalho da Ação Católica na Igreja; mas não se sentia preenchida no desejo de sua alma que sempre mais tendia para a espiritualidade franciscana e contemplativa.
Enfim, chegado o momento tão esperado, no dia 19 de maio de 1956, vésperas de Pentecostes, Aída foi recebida no Mosteiro Santa Clara. Após oito meses de postulantado, no dia 23 de janeiro de 1957, recebeu o santo hábito das Irmãs Pobres de Santa Clara com o nome de IRMÃ MARIA CLARA DO MENINO JESUS e em 11 de fevereiro de 1958 emitiu os primeiros votos, que para ela já foram eternos. Continuou sua caminhada de formação e preparação para os votos solenes e perpétuos no dia 06 de março de 1961, festa de Santa Coleta.
Irmã Maria Clara, muito tímida e frágil no corpo procurou ajudar em tudo a sua comunidade; trabalhou na cozinha, na costura, preparando muitas alfaias que eram vendidas em benefício do Mosteiro. Foi Madre Abadessa no Mosteiro de 1989 a 1998 e de 2001 a 2007; outras vezes ainda foi Vigária.
Em abril de 2019 sofreu uma queda e desde então sua saúde foi ficando cada vez mais frágil. Foi internada no Hospital Madre Tereza para alguns tratamentos. Tinha sérios problemas na vista e só enxergava pouco de um olho. Por causa disto foi perdendo a confiança em caminhar. No final de 2019, com a saúde ainda mais frágil passou a ficar mais na cama.
Um tempo vivido de muita união a Jesus, sempre saia de seus lábios orações e cantos a Ele, um coração sempre unido ao Seu Esposo. Nestes seis meses e, em especial, os últimos, foram delicados por alternâncias no seu estado físico, mas vividos com nobreza de coração, expressos pelas suas palavras de agradecimento pelos cuidados das irmãs para com ela.
No dia 23 de maio, teve a graça de celebrar, lucidamente, seus 90 anos de vida. Devido a pandemia, as comemorações foram internas. Nítido em seu rosto a alegria e a gratidão ao Senhor pelo precioso DOM da vida, de sua vocação e parafraseando Santa Clara de Assis: “E Vós, Senhor, sede bendito por haverdes criado a Irmã Maria Clara”.
Assim, no dia 05 de julho de 2020, no Dia do Senhor, às 12:45hs, liturgia na qual Jesus louva ao Pai por revelar-Se aos pequeninos, a sua alma, serenamente, foi tranquila ao encontro do Rei da Glória, como uma vela que se consome para iluminar.  Agora, a velinha de sua vida - depois de totalmente doada ao serviço de Deus e de Sua Igreja, nos passos de Francisco e Clara, -  ilumina do Céu, cantando com Maria, Mãe e Rainha de nossa Ordem, os louvores ao Pai das misericórdias, Ele, o Sumo Bem, todo BEM.
Em louvor de Cristo!
Amém.