Faleceu em Crato/CE, a missionária franciscana Irmã Cecília Zanet, freira italiana pertecente à Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo e que atuava na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Crato, desde abril de 2016Irmã Cecília foi internada no dia 27/06 com o quadro de pneumonia. Há mais de 8 anos ela trata de um câncer no sistema linfático e já tinha começado a quimioterapia chamada (branca). Fazendo a tomografia constatou que 50% do seu pulmão estava comprometido, então resolveram levá-la para UTI, onde permaneceu e veio à óbito.

Irmã Cecília sempre quis ser missionária. Completou os estudos, chegou mesmo a ficar noiva, mas sentia que algo faltava. Foi quando conheceu a Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo, no norte da Itália, onde vivia com a família, em uma propriedade rural.
No afã do Concílio Ecumênico Vaticano II, cursou Teologia. Não bastou. Queria mais. Enviada ao Brasil, ao lado de outras duas religiosas, ajudou a abrir, oficialmente, casas de missão. Não fosse uma ponta de sotaque, poderia ser considerada brasileira: dos 51 anos de vida religiosa, trinta e cinco foram semeados nessas “Terras de Santa Cruz”, em trabalhos com crianças, catequese e formação de lideranças. À Diocese de Crato chegou há três anos, precisamente à Paróquia Nossa Senhora Aparecida, onde atuava em sua área de formação, principalmente em Círculos Bíblicos com a comunidade e no Comitê de Migração e Refúgio da Diocese.
Sobre Irmã Cecília Zanet
Irmã Cecília Zanet nasceu em Fontanelle ( Treviso), no norte da Itália, em 20 de março de 1946, em uma típica família rural de pequenos proprietários. Sua educação foi pautada no exemplo dos pais, fiéis à religião e às Missas dominicais, que ninguém podia faltar. Completou os primeiros estudos e embora tenha até ficado noiva, dentro dela havia sempre um vazio preenchido em 8 de setembro de 1967, quando foi arrebatada pelo desejo de ser missionária.
No dia 02 de fevereiro do ano seguinte, ingressou na Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo. Fez a primeira profissão religiosa no dia 10 de setembro de 1969. Na Congregação, completou o Ensino Médio, formando-se como professora. Depois cursou Teologia, no embalo do Concílio Ecumênico Vaticano II. Após um período exercendo o magistério, trabalhou em pastorais em algumas pequenas comunidades paroquiais.
No dia 05 de março de 1986, conseguiu realizar o sonho missionário: foi enviada ao Brasil, junto a outras duas religiosas, que vieram abrir oficialmente a presença da Congregação em terras brasileiras. Na Diocese de Apucarana (PR), trabalhou na assessoria diocesana da Pastoral da Criança, da Catequese e na formação de liderança . Ainda no Sul, completou a preparação pastoral como assessora do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), na área de “leitura popular da Bíblia”. Também trabalhou alguns anos nas periferias da Arquidiocese de São Paulo. Desde abril de 2016 está na Diocese de Crato, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Crato, onde atua junto ao povo, principalmente em áreas periféricas.
Nota da Diocese de Crato
Queridas Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo,
“Não se perturbe o vosso coração” (Jo 14, 1.2). As palavras do Evangelho, certamente, há de vos servir de conforto nesta hora de triste oração por vossa e nossa irmã Cecília Zanet, que, neste sábado, dia 11 de julho, volta para os braços do Amado Jesus, a quem serviu fiel e generosamente, entoando os mais belos hinos esponsais. Olhando para o seu exemplo, somos chamados a dar continuidade ao compromisso que o Senhor pede de uma vocação para a caridade, pondo a serviço a própria vida.
Ao longo dos seus 74 anos, dos quais 51 foram dedicados à vida religiosa, Irmã Cecília conduziu sua vida amparada no Profeta Isaías, “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Is 61, 1), o que a fez tão destemida ao cursar Teologia no afã do Concílio Ecumênico Vaticano II e, depois, deixar a sua terra natal, a Itália, para fazer morada nas “Terras de Santa Cruz”, abraçando as necessidades do povo, ouvindo o grito dos oprimidos e a voz dos que clamam sem alento. Nisto consiste o seguimento do Senhor: firmar um compromisso sério que exige, principalmente, radicalidade e coragem.
Na memória de São Bento abade, cujo ideal consistia em “nada preferir ao amor de Cristo”, elevamos orações em sufrágio dessa incansável missionária, para que seu exemplo nos ajude na prática do amor-doação em meio à desesperança que assola a humanidade.
Também elevamos preces e ação de graças por todo o bem que Irmã Cecília semeou na Diocese de Crato, desde abril de 2016, quando fixou morada no território da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Crato, onde atuava junto ao povo, principalmente em áreas periféricas, de modo especial na formação de círculos bíblicos, e integrando o Comitê Caririense de Migração e Refúgio.
Em Cristo,
Dom Gilberto Pastana de Oliveira
Bispo diocesano de Crato