A Comunidade Franciscana presente na Diocese, assim como toda a Igreja Particular de Campina Grande se alegrou neste dia 11 de fevereiro pela vida da Irmã Maria Agnes, que professou seus votos perpétuos no carisma da Ordem das Irmãs pobres de Santa Clara . A Missa que marcou os votos foi presidida pelo Bispo Diocesano de Campina Grande, Dom Dulcênio Fontes de Matos, em concelebração que reuniu Padres, Diáconos, Religiosos, e o povo de Deus que se fez presente no Convento das Clarissas. A Missa foi transmita pelo canal da Diocese de Campina Grande, como também o do Mosteiro das Clarissas, no YouTube.


A Homilia

“As irmãs Clarissas estão em festa! A nossa Igreja particular de Campina Grande está em festa! Nos alegramos com a Irmã Maria Agnes por sua resposta positiva ao chamado de Deus”, com essas palavras animadoras, o Bispo de Campina Grande começou a sua homilia, falando sobre o “Sim” da Irmã Agnes.

Ao aprofundar a sua reflexão, o Bispo falou da conversão, o seguimento e a escolha por Jesus Cristo. Comentando a leitura de Filipenses 3, 8-14, Dom Dulcênio explicou que São Paulo abandonou tudo e deu a sua vida para Cristo, fazendo deste seguimento o centro de sua existência:
“São Paulo deixa Deus estabelecer em sua vida uma nova escala de valores, tendo o centro o Crucificado. Escutando o chamado de Deus, assim como São Paulo, a Irmã Maria Agnes também tem como centro em sua vida o Crucificado. Cristo pregou na cruz toda a autossuficiência humana para que acontecesse, sem empecilhos, a obra da graça de Deus. Será que nós crucificamos nossa autossuficiência, nossa vontade de ‘nos recuperar’ em vez de nos perder nos braços do Crucificado?”

Segundo Dom Dulcênio, seguir a Jesus é assumir a cruz, é renunciar a si mesmo, é fazer uma escolha radical daquilo que é sólido e absoluto, a verdade de Cristo que não passa, e perder-se (aos olhos dos homens), é realizar-se como enviado, como “filho” de Deus.

Dirigindo-se de modo mais direto às Clarissas, o Bispo falou sobre a beleza da vida consagrada, e pediu à comunidade das Irmãs que deixassem-se guiar cada vez mais pelo Espírito Santo, Aquele que ensina toda a Verdade, com íntima inspiração, completando o que Cristo transmitiu:

“Queridas Irmãs, se deixem guiar sempre pelo Espírito Santo. Tenho certeza que o Espírito de Deus sempre se manteve presente nesta casa. Por isto, percebemos o amor de Deus sendo derramado entre vocês, a exemplo do que ocorre neste momento com a Profissão Solene da Irmã Maria Agnes e de tantas outras que já foram feitas ao longo da história dessa comunidade e, com a graça de Deus, ocorrerão no futuro. Fortaleçam a cada dia o voto do bem comum, que é o voto da obediência: servir a Igreja e ao povo de Deus como vocês servem, buscando sempre o bem comum, e não a própria realização”.


O Rito

O rito da profissão perpétua, com a devida solenidade e assistência da comunidade dos religiosos e do povo, realiza-se muito a propósito compondo-se por algumas partes, sendo elas:

- O interrogatório pelo qual o celebrante ou Superior pergunta aos professandos se estão preparados para se consagrarem a Deus e procurar a perfeição da caridade, segundo a regra de sua família religiosa;
- A ladainha de todos os Santos;
- A emissão dos votos, que é feita perante a Igreja, o Superior legítimo, as testemunhas e o povo;
- A bênção solene ou consagração dos professos, com a qual a Mãe Igreja confirma a profissão religiosa por uma consagração litúrgica, rogando ao Pai do céu que derrame com abundância sobre os professos os dons do Espírito Santo.


Sobre a presença das Irmãs Clarissas na Diocese 

Tudo começou em junho de 1949 quando o Frei Tadeu Prost-OFM foi aos E.U.A e em uma visita feita ao Mosteiro das Clarissas, na cidade de Cleveland – Ohio, expôs o motivo de sua viagem: “Convidar algumas missionárias franciscanas à sua Missão” e nessa intenção pediu orações.

Regressando ao Brasil, Frei Tadeu soubera que Dom Anselmo Pietrulla, bispo de Santarém – PA, fora transferido para a diocese de Campina Grande, recentemente criada. Depois, em uma conversa, falou de sua viagem aos E.U.A. a Dom Anselmo que ficou entusiasmado, uma vez que estimava a vida contemplativa.

Em agosto do mesmo ano, chega as clarissas uma carta-consulta de Frei Tadeu, pedindo resposta urgente. A Comunidade é convocada, pede o parecer através de voto secreto e a maioria das Irmãs mostram-se favoráveis à fundação, restando a decisão final à Abadessa, Madre Inês.

No dia 19 de março de 1950, festa de São José, foi lançada a pedra fundamental.
No dia 31 de dezembro de 1950, às 17h, o Santíssimo Sacramento é levado em procissão pelas ruas da cidade e a convite de Dom Anselmo compareceram sacerdotes, o prefeito da cidade, Sr. Elpídio de Almeida e uma multidão de fiéis. A um sinal de Dom Anselmo as Clarissas se colocaram à frente dirigindo-se ao mosteiro seguidas pelo clero, o povo e seis alunas do Colégio da Imaculada Conceição. Foi erguido um altar e o Bispo deu a bênção Eucarística e o Santíssimo foi exposto na Capela. Após a bênção papal, encerrou-se a cerimônia.

Fotos: Rafael August
Por: Ascom | Correção: Pedro Freitas